CPAP vicia?
- Débora Lisboa

- 22 de set. de 2025
- 2 min de leitura

Entenda a verdade sobre o tratamento da apneia do sono
Muitos pacientes que estão prestes a iniciar o tratamento da apneia obstrutiva do sono com CPAP levantam a mesma dúvida: “Será que o CPAP vicia?”.
A resposta é não. O CPAP não causa dependência.
O que acontece é que, ao iniciar o tratamento, o paciente finalmente volta a ter noites de sono reparador, respira melhor, acorda mais disposto e com mais qualidade de vida. Essa sensação positiva faz com que muitas pessoas tenham a impressão de que ficaram “dependentes” do aparelho — mas, na verdade, o que existe é a necessidade contínua de tratar uma condição crônica.
Por que o CPAP não vicia?
O vício está relacionado a substâncias ou comportamentos que provocam alterações químicas no cérebro, levando à dependência. O CPAP não libera nenhuma substância e não altera quimicamente o organismo. Ele apenas mantém as vias aéreas abertas durante o sono, evitando as pausas respiratórias típicas da apneia. Ou seja, o CPAP não é um vício, mas sim um tratamento eficaz para uma doença que não desaparece sozinha.

O que o paciente sente na prática?

Ao interromper o uso do CPAP, os sintomas da apneia — como ronco, pausas na respiração, sonolência diurna, cansaço e risco aumentado de problemas cardiovasculares — voltam a aparecer. Isso pode dar a impressão de dependência, mas o que realmente acontece é que o organismo sente a falta do tratamento de uma condição que continua existindo.
Conclusão
Portanto, podemos afirmar com tranquilidade: o CPAP não vicia. Ele é um aliado essencial no controle da apneia do sono e promove saúde, energia e qualidade de vida. A verdadeira “dependência” que o paciente cria é pela sensação de bem-estar e pelas noites de sono de qualidade que o tratamento proporciona.
Referências Bibliográficas
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